Saiam dos lixos
O chorume das redes, representação brasileira em Frankfurt, Mapa das Livrarias de Rua de São Paulo........
Agatha Kim, livreira da Aigo, foi à Feira do Livro de Frankfurt e manifestou seu desgosto com a participação brasileira.
Colegas do mercado editorial, veteranos no encontro, tiveram mais edições para processar os estágios de sentimentos em relação à representação internacional do Brasil: contrariedade, indignação, constrangimento, tristeza. Agora expressavam um conformismo silencioso. “Todo ano é assim.”
O texto apresenta argumentos, comparações, analogias, metáforas. Descreve o incômodo.
Carlo Carrenho fez uma réplica negando boa parte dos pontos expostos por Kim. Embasado, texto similar em termo de tamanho e características, embora com conclusões opostas.
Em meio a esse choque legítimo de ideias, chorume. É o produto do debate público contemporâneo. Afinal, redes sociais.
A imagem acima é do LinkedIn, em tese a rede social mais comportada pois ganha pão.
Vem cá, como é que uma pessoa que NÃO LEU ajuiza que Kim foi “apressada” e “arrogante”? Por mais que seja “um tanto”, não há sinal de constrangimento algum.
Agravante: a pessoa trabalha no mundo da “leitura” (fonte: LinkedIn).
O axioma da vida contemporânea, algo como um neo-mandamento, pede algo na linha “Rede social: não dá para levar a sério”.
Outro exemplo, Mapa das Livrarias de Rua de São Paulo. Repercussão excelente. Porém, se cavocar no Instagram ou nos comentários do site de notícias, vai ver gente reclamando que faltou fulano e siclano.
Na ânsia de defender e apontar defeito, como se o coletivo tivesse a obrigação de representar a todos, nossos justiceiros de smartphone escancaram o constrangimento de livreiros que não quiseram fazer parte do mapa. Em alguns casos, por falta de dinheiro.
Nesse caso, se o comentarista estivesse lá realmente fazendo algo prático, útil, real, talvez a livraria que ele propala tanto amar tivesse condições de participar. Melhor ainda, se estivesse lendo livros da tal livraria, não estaria mendigando atenção nas redes sociais.
Nossa, mas por que você usa roupas velhas?
O cheiro dessa latrina inebriante vai além dos livros. Pegue o caso da semana passada, sobre a dificuldade de Silksong e Nine Sols. Em meio à discussão, questionei uma das participantes sobre a raíz da pressão de desempenho no videogame.
Afinal, conheço o Ludens, sei que essa questão presente na comunidade do videogame passa longe do grupo. Então, quem estava a cobrar? R: TikTok. Entendido aqui como pessoas aleatórias que o algoritmo traz ao usuário. E para justamente estimular essa reação. Torço não estar falando nenhuma novidade.
Não levar a sério rede social é um axioma que se refere ao individual. Quando a obstinação em negar algo estabelecido não pode ser debitada à falta de informação, a culpa, meu caro Brutus, não está nas estrelas, mas em nós mesmos.
O esgoto está lá. Evite, não entre nem deixe entrar. Cubra o nariz.
Leia o próximo capítulo aqui.
PS: O Ludens vai encarar hoje Doki Doki Literature Club, game sobre um clube de leitura. Há vários ₾⫸⁅⁆૱﷼ no jogo, entre eles a dificuldade declarada de atrair pessoas para falar de literatura. Está dado o alerta de gatilho.
PPS: Experiências mais difíceis, tipo poesia, no texto anterior 👇




